Sim, admito a vocês, eu estava muito receoso com relação ao meu futuro. Estava até pensando em largar o curso, e pra falar a verdade, eu não sabia o que iria fazer se eu fizesse isso.
Eu andava muito confuso, sentimentos se misturando, confusão crescendo, desanimo aparecendo cada vez mais e mais. Até os meus serviços na igreja estavam parecendo chatos demais e sem muitos motivos para continuar, já que nada que eu estava fazendo estava dando os resultados esperados.
Mas ontem, um fato curioso aconteceu, um bom amigo meu passou mal e desmaiou, foi um momento de desespero no meio em que nós estávamos, ninguém sabia o que fazer. Eu já havia presenciado isso antes, também não foi nada legal, me senti completamente inútil e tudo que eu pude fazer foi esperar.
E esse fato me fez lembrar de algumas coisas importantes. Primeiro, me lembrei o porque de eu ter escolhido um curso na área da saúde, foi porque a coisa que eu mais odeio, o sentimento que eu mais abomino, é o sentimento de inutilidade (creio que já escrevi sobre isso), e estando em um curso da saúde, eu pelo menos acho que vou poder ser útil para as pessoas, não ficar parado enquanto uma pessoa que está perto de mim precisa do meu auxílio.
Outra coisa que me lembrei e refleti, foi o fato de eu ter poucos amigos. Esse foi um sentimento compartilhado por outra boa pessoa que eu conheço, que manifestou isso em público e me identifiquei com isso. Sinceramente, sempre fui meio anti social, nunca liguei muito pras pessoas ao meu redor, e também nunca exercitei muito esse sentimento de solidariedade de afinidade por seres humanos.
E então, eu aprendi que não preciso de muitos amigos, não preciso de pessoas perguntando o por que de eu mancar da perna esquerda, eu preciso de pessoas que perguntem se eu estou bem e se elas podem ajudar com essa minha pequena lesão. Uma vez, quando eu adoeci, me senti feliz por saber que algumas pessoas vieram me procurar querendo saber se eu estava melhor já, me senti bem por ter algumas pessoas que se preocupam como eu me sinto.
Então, obrigado a todos os meus leitores, obrigado a todos os meus poucos amigos, e obrigado a Deus por ter me dado o dom da ignorância que me fez insistir em situações que muitas vezes pareciam perdidas ou completamentes inúteis. E por isso, vou continuar perseverando nas pessoas, e no que eu escolhi seguir, mas lembrando sempre do meu objetivo de nunca mais me sentir inútil para ninguém.