segunda-feira, 30 de maio de 2011

Vida Cotidiana

 Em uma pradaria, há um vilarejo. Um moinho gira vagarosamente, moendo o trigo que também será vagarosamente empacotado e transformado em pão, identificando o cheiro peculiar dessa pequena população.
 Um carro de boi vem passando em ritmo continuo por uma estrada de paralelepípedos que serpenteiam entre a pradaria. O boi que puxa o carro ainda rumina um pedaço de grama recém cortado e o homem que dirige o carro de boi parece tão sonolento que nem liga para os solavancos da estrada.
 O sol quente bate na grama e torna as sombras das árvores muito convidativas para um longo cochilo. Uma cigarra canta ao longe, tornando o clima ainda mais sonolento.
 Pessoas simples caminham pelas velhas ruas. Não é um vilarejo rico, mas todos são felizes vivendo no cotidiano quase rural, onde o tempo até passa mais devagar e o sono paira sobre as pessoas.
 Nesse lugar, a paz reina absoluta, não há muita vontade de progresso, mas está tudo bem assim. O carro de boi se vai, rodando sobre a estrada de paralelepípedos que serpenteiam para outros pequenos vilarejos.
 Enquanto isso, as nuvens vão para lá, para cá e de volta para lá também. Uma boa vida, e uma boa maneira de morrer.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Droga Cotidiana

 O sol quente lá fora mostra que o dia já começou. Bom, para mim o dia começou com a lua ainda alta. Sei que há pessoas que acordaram muito antes de mim, mas eu realmente não ligo muito para o fato de ter que acordar cedo.
 Um café para espantar o sono, apesar de fazer isso mais pelo vício em cafeína do que pelo placebo de tentar me manter em pé. Ah a cafeína! Sua bioquímica tão simples mas desconhecida para tantas pessoas ainda me surpreende e fascina.
 Assisto um trecho do jornal da manhã. Sempre me arrependo de ver as tragédias do mundo, isso me entristece. O mundo se acabando e eu sentado em uma lanchonete tomando café sozinho, me preocupando com a prova da semana que vem.
 Enquanto o placebo do café vai acabando começo a bocejar em palavras tortas, ao mesmo passo que um cara lá na frente vomita conhecimento, que um dia, ou não, pode ser útil para mim.
 E esse é o meu cotidiano, meu ciclo com algumas variações no metabolismo. É um bom ciclo, mas as vezes cansa. Acho que preciso de mais uma pessoa para fazer parte de forma direta nessa rotina. Mas essa é outra história para outro lugar.

domingo, 15 de maio de 2011

Solitary Shell - Dream Theater


He seemed no different from the rest
Just a healthy normal boy
His mama always did her best
And he was daddy's pride and joy
He learned to walk and talk on time
But never cared much to be held
And steadily he would decline
Into his solitary shell
As a boy he was considered somewhat odd
Kept to himself most of the time
He would daydream in and out of his own world
But in every other way he was fine
He's a Monday morning lunatic
Disturbed from time to time
Lost within himself
In his solitary shell
A temporary catatonic
Madman on occasion
When will he break out
Of his solitary shell
He struggled to get through his day
He was helplessly behind
He poured himself onto the page
Writing for hours at a time
As a man he was a danger to himself
Fearful and sad most of the time
He was drifting in and out of sanity
But in every other way he was fine
He's a Monday morning lunatic
Disturbed from time to time
Lost within himself
In his solitary shell
A momentary maniac
With casual delusions
When will he be let out
Of his solitary shell

Melhorando ^^

 Olho através da janela de um ônibus, enquanto o sol despeja seus quentes raios sobre minha cabeça que há muito tempo está perdendo sua capacidade de criar, duvidar e questionar as coisas ao redor.
 Não sei o porque disso, acho que simplesmente me conformei com as coisas como elas são. Sei que ninguém vai mudar por minha causa, e nem eu vou mudar meu jeito de ser pra me adaptar a pessoas ingratas que só querem drenar minhas energias.
 Mas inexplicavelmente, estou feliz, apesar da maré ainda não estar ao meu favor, sei que Deus está no comando de todas as coisas, e isso me faz abrir um discreto sorriso enquanto observo a paisagem passar de urbana para um tom meio rural do campus.
 As tristezas não me atingem mais de forma tão forte, não há mais porque me esconder nos meus vários mundos de fantasias com medo de apanhar do mundo, sabendo que um dia vou ter que encarar tudo isso e sabendo também que vou apanhar muito, mas no final, vai valer a pena.
 Um pequeno sorriso também para as boas memórias, amigos, situações, frases, todas muito memoráveis e que gostaria de dividir com todos. Apenas espero que as pessoas também se lembrem de mim nos bons e nos mals momentos.
 Uma última olhada para o céu, procurando alguém que eu sei que está bem do meu lado. É... nada mais importa agora.

domingo, 1 de maio de 2011

Desabafo

 Sim, admito a vocês, eu estava muito receoso com relação ao meu futuro. Estava até pensando em largar o curso, e pra falar a verdade, eu não sabia o que iria fazer se eu fizesse isso.
 Eu andava muito confuso, sentimentos se misturando, confusão crescendo, desanimo aparecendo cada vez mais e mais. Até os meus serviços na igreja estavam parecendo chatos demais e sem muitos motivos para continuar, já que nada que eu estava fazendo estava dando os resultados esperados.
 Mas ontem, um fato curioso aconteceu, um bom amigo meu passou mal e desmaiou, foi um momento de desespero no meio em que nós estávamos, ninguém sabia o que fazer. Eu já havia presenciado isso antes, também não foi nada legal, me senti completamente inútil e tudo que eu pude fazer foi esperar.
 E esse fato me fez lembrar de algumas coisas importantes. Primeiro, me lembrei o porque de eu ter escolhido um curso na área da saúde, foi porque a coisa que eu mais odeio, o sentimento que eu mais abomino, é o sentimento de inutilidade (creio que já escrevi sobre isso), e estando em um curso da saúde, eu pelo menos acho que vou poder ser útil para as pessoas, não ficar parado enquanto uma pessoa que está perto de mim precisa do meu auxílio.
 Outra coisa que me lembrei e refleti, foi o fato de eu ter poucos amigos. Esse foi um sentimento compartilhado por outra boa pessoa que eu conheço, que manifestou isso em público e me identifiquei com isso. Sinceramente, sempre fui meio anti social, nunca liguei muito pras pessoas ao meu redor, e também nunca exercitei muito esse sentimento de solidariedade de afinidade por seres humanos.
 E então, eu aprendi que não preciso de muitos amigos, não preciso de pessoas perguntando o por que de eu mancar da perna esquerda, eu preciso de pessoas que perguntem se eu estou bem e se elas podem ajudar com essa minha pequena lesão. Uma vez, quando eu adoeci, me senti feliz por saber que algumas pessoas vieram me procurar querendo saber se eu estava melhor já, me senti bem por ter algumas pessoas que se preocupam como eu me sinto.
 Então, obrigado a todos os meus leitores, obrigado a todos os meus poucos amigos, e obrigado a Deus por ter me dado o dom da ignorância que me fez insistir em situações que muitas vezes pareciam perdidas ou completamentes inúteis. E por isso, vou continuar perseverando nas pessoas, e no que eu escolhi seguir, mas lembrando sempre do meu objetivo de nunca mais me sentir inútil para ninguém.